03 maio 2009

Seu Diploma Pode Sair do Youtube



"Já é possível assistir a aulas e palestras das principais universidades dos Estados Unidos. E tudo de graça, no portal de educação YouTube EDU"


Quando um estudante busca na internet vídeos com algum conteúdo relacionado às principais universidades brasileiras o que encontra são gravações do tipo "Ocupação na reitoria da UnB", "Professor em dia de fúria na USP", "Vadia da PUC" ou "Professor quebrando celular de aluna". Sobre ensino, quase nada aparece no YouTube, o mais popular site de vídeos da rede. As honrosas exceções são alguns trechos de aulas e palestras filmados por alunos com câmeras digitais ou celulares, geralmente inaudíveis e com imagem péssima. Porém, quando as palavras-chave da busca são "Harvard", "Berkeley", "MIT" ou qualquer uma das principais universidades dos Estados Unidos, o resultado é surpreendente.

"Nós teremos hoje um fantástico palestrante convidado, Sergey Brin, co-fundador do Google. Alguns de vocês já devem ter ouvido falar na empresa dele...", diz a doutora Marti Hearst, para a gargalhada de seus alunos de Ciências da Computação na Universidade da Califórnia em Berkeley. Trata-se de uma aula da série de onze que ela ministrou no curso "Mecanismos de busca: Tecnologia, Sociedade e Negócios", todas com palestras dos maiores especialistas do ramo no mundo. Se quiser conferir, acesse o vídeo.

Assim como a palestra de Sergey Brin, aulas como as de Marti Hearst não são mais exclusividade de estudantes privilegiados que gastam cerca de US$ 25 mil ao ano para terem um diploma. Desde o começo de março, o site de vídeos YouTube, que pertence ao Google, colocou no ar uma ferramenta chamada YouTube EDU. Lá dentro estão canais das principais universidades americanas com vídeos dos cursos mais sonhados por estudantes do mundo inteiro. Sem matrícula ou mensalidade. A primeira universidade a fechar parceria com o YouTube há dois anos foi justamente a UC Berkeley. Hoje, já são quase duzentas, e o portal EDU foi criado para organizar esse conteúdo.

As áreas de interesse são as mais variadas. Se em qualquer parte do mundo com acesso à internet um estudante de Economia, por exemplo, quiser informações abalizadas sobre a atual crise financeira mundial, pode ver a palestra do Nobel de Economia Joseph Stiglitz na Columbia Business School. Entre outras coisas, ele diz que não há perigo em nacionalizar bancos por algum tempo, até a economia se normalizar. Para ouvir outras soluções possíveis, o estudante pode recorrer aos economistas da Universidade de Yale, que debateram o mesmo tema no começo deste mês.

No mesmo canal de Yale, para quem acha economia um assunto mundano demais, pode se assistir à aula sobre o romancista Jack Kerouac no curso de literatura americana. As aulas são ministradas pela professora Amy Hungerford, Ph.D., com direito a quadro negro e piadinhas para descontrair os alunos. Em um estilo mais intimista, o professor Michael Williams, da Berklee College of Music, aparece no vídeo munido apenas com guitarra e amplificador para sua aula de progressão de acordes no blues.

Por enquanto, apenas universidades americanas e algumas do Canadá têm espaço no YouTube EDU. No Brasil, a única entre as grandes universidades que coloca trechos de aulas no YouTube - fora do portal EDU - é a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Mesmo assim, são apenas sete. Os outros vídeos do canal são institucionais, ou de entrevistas de seus professores, o mesmo que fazem em seus canais do YouTube outras universidades brasileiras, como USP e PUC-Rio.


Fonte: ÉPOCA

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